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“Precisamos sair da migalha”, afirma Fernanda Lomba em debate sobre diversidade no audiovisual
Painel do Conexões Gramado Film Market discutiu caminhos para ampliar a representatividade e transformar avanços em práticas permanentes nas instituições
segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Texto: Rafael Flores
Foto: Luiza Ferrão
A representatividade no audiovisual brasileiro ganhou espaço na programação do Conexões Gramado Film Market nesta segunda-feira (17). Durante o painel “Diversidade em cena: Representação, conteúdo e transformação cultural”, na Sala Rubi do Hotel Serrazul, Fernanda Lomba e a cineasta Patrizia Landi discutiram os desafios para ampliar a diversidade nas produções e nos espaços de decisão do setor.
Fernanda defendeu que avanços conquistados nos últimos anos deixem de depender de iniciativas individuais e sejam incorporados de maneira permanente pelas instituições. Para ela, um dos principais desafios está justamente em ampliar a presença de diferentes grupos nos espaços onde são tomadas as decisões sobre quais histórias chegam às telas.
“A gente precisa transformar isso em uma agenda permanente, que seja de fato uma política que esteja dentro das instituições”, afirmou. “Estamos dividindo uma migalha. A gente precisa sair dessa migalha e ir para um país onde a gente não precise disputar quem merece contar a sua narrativa.”
A dificuldade de acesso e permanência de diferentes talentos no mercado também apareceu no debate. Fernanda destacou a responsabilidade das pessoas que ocupam posições de decisão. “Instituição é feita por pessoas. Então a gente precisa cobrar das instituições que as pessoas tenham uma atitude”, disse.
A tecnologia foi outro ponto levantado durante a discussão. Fernanda alertou que novas ferramentas podem reproduzir desigualdades já existentes caso sejam desenvolvidas e utilizadas sem um olhar crítico para a diversidade. “Se a tecnologia não tiver um trabalho ativo, ativista, ela vai simplesmente reproduzir a dinâmica de poder de toda sociedade”, afirmou.
Patrizia Landi abordou os desafios para que a diversidade avance para além da presença diante das câmeras e alcance diferentes etapas da cadeia audiovisual. O debate tratou da importância da representatividade em áreas como roteiro, direção, produção e nos processos de decisão e financiamento.
O painel integrou a programação do Fórum GFM, uma das frentes da 10ª edição do Conexões Gramado Film Market. O segmento mercadológico do Festival reúne em Gramado profissionais, realizadores, empresas e instituições para discutir caminhos e transformações do audiovisual brasileiro.
O Conexões Gramado Film Market é uma realização da Gramadotur e da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, por meio do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), que, em 2026, celebra 40 anos. O Festival de Cinema de Gramado acontece entre os dias 12 e 22 de agosto na Serra Gaúcha, com a abertura oficial marcada para o dia 14 de agosto. A realização é da Gramadotur, autarquia municipal de turismo e cultura.



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