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Debate curtas-metragens brasileiros apresenta o cinema como escuta, experimentação e pertencimento
Realizadores de “Divino: Sua Alma, Sua Lente”, “A Menina Que Queria Ser Pedra” e “Pique-Pega” debatem sobre direção, arte e cinema etnográfico
quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Por: Emanueli L. Tedesco de Bovi
Foto: Luna Silva
A terceira sessão de debates dedicada aos curtas-metragens brasileiros, nesta quinta-feira (20), trouxe à tona reflexões sobre permanência de cultura, experimentação de linguagens e a sensibilidade do olhar diretor no cinema contemporâneo. O encontro ocorreu no hotel Serrazul.
O destaque inicial ficou por conta de "Divino: Sua Alma, Sua Lente", obra dirigida por Clea Torres, Gilson Costa e codirigida por Divino Tserewahú, cineasta do povo Xavante homenageado por seus 35 anos de trajetória e pelo uso do audiovisual na salvaguarda e permanência da cultura de seu povo. Viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo, em um projeto de extensão universitária e educação socioambiental no Cerrado, o filme prioriza o cinema etnográfico construído em uma relação orgânica e de troca real. As etapas de produção e seleção de imagens foram autorizadas pelos anciões e comunidade.
Na sequência, a busca por novas formas narrativas e a diversidade da animação marcou as discussões sobre "A Menina que Queria ser Pedra", do artista visual e músico Jackson Abacatu. Partindo de pinturas feitas diretamente em livros, a obra se inicia como um conto poético e filosófico. Abacatu o produz como curta no estímulo às infinitas possibilidades criativas. De acordo com o diretor, "cinema pra mim é isso, quanto mais exibir, melhor" para ampliar o alcance e o impacto do cinema independente.
Encerrando o debate, a diretora Mia Lima Rocha apresentou "Pique-Pega", obra estrelada pelas atrizes Carol Duarte e Malu Galli, com produção de Pedro Freire. Construído a partir de vivências pessoais e de temas como infância e sexualidade precoce, o filme se destaca por planos-sequência envolventes e cenas de forte carga emocional. Durante o debate, Mia ressalta que a obra não tem caráter educativo, mas se propõe como um espaço para questionamentos e reflexão. A diretora enfatizou o cuidado no set e a importância da escuta ao trabalhar com o elenco.



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