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Resistência aproxima histórias da segunda sessão de curtas brasileiros em Gramado
Debate reuniu equipes de Um Passeio, Pão Doce e Fúrias nesta quarta-feira (19), no Hotel Serra Azul
quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Por Nicole Mapelli
Foto: Luiza Ferrão
Histórias distintas, mas atravessadas por personagens que resistem às realidades que encontram. Esse foi um dos pontos de aproximação entre Um Passeio, Pão Doce e Fúrias durante o debate da segunda sessão de curtas-metragens brasileiros do Festival de Cinema de Gramado. O encontro ocorreu nesta quarta-feira (19), no Hotel Serra Azul, e reuniu as equipes dos três filmes exibidos na noite anterior no Palácio dos Festivais.
Dirigido por Thalles Cabral e Fernanda Rocha, Um Passeio acompanha Célia, interpretada por Chris Couto, uma mulher de 70 anos que decide se permitir algo que não fazia há muito tempo: sair para um passeio. O curta funciona como um epílogo do longa-metragem Célia Não Pode Esperar, ainda em produção, e surgiu como um exercício para levar a personagem às telas.
Durante o debate, os diretores falaram sobre a construção de uma história simples e de personagens cuidadosamente pensados. Thalles contou que, durante a escrita do roteiro, percebeu que estava construindo Célia para Chris, com quem já havia trabalhado anteriormente. Para Fernanda, a atriz acrescentou presença, escuta e personalidade à personagem.
Em Pão Doce, o padeiro Fernando, interpretado por Francisco Gaspar, tenta preservar o sexto aniversário da filha. Forçado a levar Sophia para o trabalho, ele precisa conciliar a rotina profissional com o cuidado da criança.
Dirigido por Wesley Gabriel Silva Santos, o curta surgiu da vontade do realizador de escrever sobre os trabalhadores de sua “quebrada”. A história foi inspirada por experiências do diretor durante o período em que trabalhou em uma padaria na Irlanda e também pelo cotidiano vivido por sua mãe. Segundo ele, Francisco Gaspar já era imaginado como protagonista durante a concepção do projeto.
Gaspar contou que decidiu participar do filme já na primeira leitura do roteiro. Para o ator, a história revela a tristeza e a solidão vividas pelo pai ao mesmo tempo em que mostra seu esforço para fazer a filha feliz.
Resistência
Já Fúrias, dirigido por Nica Maleoa, leva o público a uma Porto Alegre distópica, transformada em cidade administrada por uma megacorporação. Nesse cenário, Téia e Nanã, interpretadas por Áurea Baptista e Denizeli Cardoso, enfrentam restrições crescentes à liberdade e aos próprios direitos.
Durante o encontro, Áurea identificou justamente na resistência um ponto de contato entre as produções apresentadas na sessão. “Esses filmes todos falaram muito sobre resistir a uma realidade posta”, afirmou.
Para a atriz, essa resistência aparece de maneiras distintas: nas transformações da cidade e na perda de liberdades em Fúrias, nas pressões impostas pelo trabalho em Pão Doce e também nas trajetórias de mulheres que seguem levando uma vida ativa. A leitura aproximou três filmes de universos diferentes e mostrou como personagens comuns podem reagir, cada um à sua maneira, às circunstâncias que procuram limitar suas escolhas.



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