Covid-19 no mundo: Brasileiros relatam como vivem a pandemia em diferentes países

Por Morgana Schneck Atualizado em 31 de março de 2020 às 18:10 horas



Metrôs vazios em diferentes cidades do mundo

A última quinta-feira (26) marcou o primeiro mês desde o primeiro caso confirmado de COVID-19 no Brasil. Durante este período, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram confirmados 2.915 casos e 77 mortes.

Essas medidas foram adotadas antes em outros países largamente afetados, como a China, que enviou seu primeiro alerta à OMS, em 31 de dezembro de 2019. Em seguida, a Coreia do Sul e os Estados Unidos registraram seus primeiros casos em 20 e 22 de janeiro, respectivamente. No dia 31 de janeiro foi registrado o primeiro caso da Itália, lugar com o maior registro de óbitos entre todos os países, somando mais de 10,7 mil mortes até o dia 20 de março. ​ Brasileiros espalhados pelo mundo contam, com exclusividade para a revista K+, como a pandemia tem sido vivenciada em diferentes países.


“Seriam só dez dias de quarentena, mas no final, acabaram sendo trinta”

Entrevistada Cíntia Fink

Cíntia Fink e sua família desembarcaram na China pouco antes do Feriado do Ano Novo Chinês, que ocorreu no 12 de fevereiro. “Mal havíamos começado com as rotinas de trabalho e aula quando o surto do Corona iniciou”, conta. O governo chinês rapidamente tomou as precauções necessárias e decretou o lockdown. “Seriam só dez dias de quarentena, mas no final, acabaram sendo trinta”. ​

Cíntia morava em Dois Irmãos com seu marido e dois filhos. A filha vive atualmente nos Estados Unidos, e o filho na Alemanha. “Aceitamos a aventura de se mudar para cá, porque meu marido recebeu uma proposta de transferência na empresa em que trabalha”, conta. Changzhou, cidade em que vive, possui cerca de 5 milhões de habitantes. “Da janela eu via poucas pessoas saindo para fazer suas compras na rua”, relata. “Com a quarentena, as buzinas cessaram, o céu ficou azul, a poluição sonora como a atmosférica melhoraram significativamente”. Ela e seu marido evitaram as saídas ao máximo, mas quando precisavam sair, utilizavam máscara. “Eu até saí para correr de máscara, porque era proibido estar na rua sem ela”, explica.


Mesmo hoje, com o surto do vírus controlado, ainda são tomados os cuidados necessários para sair de casa. “Usamos máscaras, não abraçamos e nem beijamos ninguém nas ruas, evitamos colocar as mãos no rosto, lavamos as mãos ao chegar em casa e nunca entramos com calçados”, conta. O governo chinês exige o uso de equipamento de segurança para todo os cidadãos, com o intuito de evitar uma nova onda de contaminação.




“Parece que estou sentada sem poder fazer nada para impedir que os brasileiros cometam os mesmos erros que a Itália” ​ A graduada em Moda pela Universidade Feevale, Nicoli Bautitz, se mudou para a Itália com o intuito de começar um mestrado e fazer sua cidadania italiana. Segundo ela, quando a primeira notícia sobre o vírus apareceu, nem ela e nem o governo acreditaram que a situação se tornaria tão grave. “Eles demoraram muito para tomar as devidas providências”, relata. Conforme a brasileira, o Governo iniciou o controle na região da Lombardia (Milão) e região do Vêneto (Veneza). “Quando o governo informou que iria trancar as barreiras, o pessoal que estava nesses lugares fugiu para cidades menores e acabou espalhando o vírus pelo restante da Itália”, conta. Em 9 de março foi decretado o lockdown no país inteiro. “Eu comecei desesperadamente a avisar meus amigos para não irem em festas no Brasil. Para evitar lugares com muita movimentação”, relata. “Mas obviamente ninguém me ouviu. Eu acho que também não ouviria”. ​

Antes da quarentena, Nicoli possuía uma rotina de trabalho equilibrada com momentos de lazer. “Iniciava meu dia com uma corrida de 10km na rua, trabalhava e ao final do dia era costume fazer o happy hour em algum bar da cidade”. Hoje sua rotina está diferente e focada em aprender italiano. “Faz vinte dias que não posso correr na rua, então montei um espaço dentro de casa para me exercitar”, conta. “Não tenho Wi-Fi no apartamento, então assisto muita televisão aberta, o que me faz aprender o idioma na marra mesmo”. ​

Quando reflete sobre a situação, pensa no Brasil. “Parece que estou sentada, olhando pela janela, sem poder fazer nada para impedir que os brasileiros cometam os mesmos erros que a Itália”, desabafa. “Aqui, as saídas são controladas e precisamos usar luva e máscara, pois são tantos casos que não temos noção de quem está infectado e quem não está”.

A Itália foi o país a registar o maior número de vítimas pelo COVID-19 em um dia: foram 969 mortes.




Europa: o segundo epicentro da pandemia


Entrevistada Amanda Mallmann

Em comunicado oficial no dia 13 de março, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a Europa se tornou o epicentro da pandemia de coronavírus naquele momento, posto que gradualmente vai sendo agora ocupado pelos Estados Unidos. O comunicado aconteceu pois o número de casos confirmados por dia na Europa já era maior do que os confirmados na China.

A estudante de psicologia, Amanda Mallmann, embarcou no dia 10 de março rumo a um sonho. A ivotiense participou de um programa de intercâmbio oferecido pela Universidade Feevale, em parceria com a Universidade Lusíada de Lisboa, em Portugal. “Antes da situação do Coronavírus, minha rotina era normal e agitada”, conta. “Como estava em intercâmbio, nos períodos em que eu não tinha aula, sempre procurava algo pra fazer ou algum lugar para conhecer”.


Quando os primeiros casos surgiram em Portugal, a estudante confessa que não acreditou na gravidade da situação. “No dia em que duas professoras comentaram que as aulas poderiam ser suspensas eu me dei conta da real situação”, explica. No mesmo dia, Amanda recebeu um e-mail comunicando a suspensão das aulas presenciais e a migração para plataformas à distância. “Fiquei muito perdida e sem saber direito o que fazer”, desabafa. Em questão de uma semana, a realidade da estudante mudou. “Lisboa ficou deserta, só tinha pessoas nas filas de farmácias e supermercados”, conta. “O medo tomou conta”. Dentro dessa realidade, a estudante decidiu voltar para o Brasil. Desembarcou em Porto Alegre no dia 21 deste mês.




E quem continua trabalhando? ​ Alesson Luft, vive em Fürstenfeldbruck, na Alemanha, desde 2018 e trabalha em um lar de idosos. “É impossível eu parar de trabalhar, pois eles precisam da nossa ajuda”, explica. Para ele, a quarentena é essencial para evitar a proliferação do vírus. “Está sendo difícil pra todo mundo essa situação de evitar o convívio social, porém é extremamente necessária”. ​ O ivotiense conta que em seu emprego, o cuidado com a limpeza foi redobrado. “Tudo que entra é higienizado, utilizamos elevadores diferentes para transportar roupas limpas e sujas e as refeições estão sendo feitas nos quartos para evitar aglomerações”, relata. Quando não está trabalhando, ele aproveita para correr na rua, tomando os cuidados necessários. “Percebo que muitos estão cientes da gravidade da situação e evitam o contato”, conta. “Porém, ainda vejo muitos jovens andando em grupos, sem se importar com a situação.”



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