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A pandemia do coronavírus e a corrida ao “ouro” nos supermercados

Por Por Brayan Martins Atualizado em 23 de abril às 18:00 horas



- “O leite aumentou 50% nas distribuidoras desde que começou o coronavírus. Está um absurdo!” - “Claro, são tudo uns mercenários!” ​ É assim que acontece o diálogo entre a dona de um mini mercado e seu funcionário, na cidade de Novo Hamburgo. Em meio à pandemia causada pela Covid-19, os mercados tentam manter-se abastecidos com os itens básicos para suprir a demanda dos clientes, que buscam a cada dia manter suas despensas cheias com os mantimentos necessários. A maior procura por produtos passou a acontecer devido à propagação acelerada do novo coronavírus e da necessidade de isolamento social no Brasil e no mundo. Ficar em casa mais que uma opção individual se tornou uma necessidade coletiva para frear o avanço da doença.

Foto: Marcelo Camargo

Em nota, publicada no dia 16 de março de 2020, a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) informou que tem monitorado a situação dos estabelecimentos no país e que não foram identificados casos de problemas de desabastecimento. No Rio Grande do Sul, a Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS) afirma que a situação segue normalizada, assim como no restante do país. O único produto em que há dificuldades de abastecimento é o álcool em gel. Para os demais, o fornecimento segue normalizado.


Ou seja, de modo geral não há falta de produtos. Mesmo assim, é possível notar as prateleiras mais vazias do que de costume. Isso acontece por que muitas pessoas correram aos mercados ao mesmo tempo, com o objetivo de conseguir mantimentos para longos períodos em casa (em muitos casos, até bem a mais do que o necessário), gerando um problema muito mais logístico do que de produção. A maior demanda pode, em alguns casos, fazer com que um o outro produto falte durante alguns dias. O que não significa falta de fabricação ou estoque, mas sim, de reposição. ​ Em alguns estados, o momento exige maior reposição de produtos devido ao aumento no número de clientes aos finais de semana. Isso acontece principalmente nos supermercados da cidade de São Paulo, localizados em bairros das classes A e B. Os produtos mais adquiridos são: macarrão, azeite, sal, café, leite, produtos de limpeza e higiene, com destaque para o papel higiênico e álcool gel, entre outros produtos.

Através de um comitê permanente, a ABRAS, também tem trabalhado juntamente com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom), para coibir práticas de preços abusivos nos estabelecimentos de todos os Estados. Por meio de uma nota à imprensa, a entidade informa não compactuar com a elevação injustificada de preços, principalmente em períodos de fragilidade da população. No entanto, no dia 24 de março de 2020, a associação comunicou a Senacon a respeito de atividades abusivas no aumento de preços por parte da indústria do queijo e leite. Qualquer tipo de atividade relacionada ao assunto deve ser informada a associação via o e-mail, contato@abras.com.br. No Rio Grande do Sul, os casos de preços abusivos também são fiscalizados pelo órgão de defesa do consumidor, Procon/RS. ​ No Estado, a AGAS serve como um braço da ABRAS, trabalhando em conjunto em todas as frentes durante a pandemia. Entretanto, de acordo com a instituição, o momento é de garantir o abastecimento e a alimentação das famílias, e não de fomentar uma guerra sobre preços com a indústria. “O que tem ocorrido é um aumento muito grande na curva da demanda, produtos que possuíam unidades para durar um mês e acabam sendo vendidos em poucas horas. Além disso, questões como a alta do dólar e, sobretudo a estiagem, também geram impactos”, explica a associação por meio de sua assessoria. ​ Além do controle de tais atividades, o comitê da ABRAS busca realizar conscientização para que não haja a proliferação do vírus. Destacando a importância da higienização de carrinhos e cestas nas redes de supermercados, conforme a lei 13.486/2017, que prevê como dever do fornecedor de realizar a higienização dos equipamentos e utensílios utilizados no fornecimento de produtos ou serviços, ou colocados à disposição do consumidor, e informar, de maneira ostensiva e adequada, quando for o caso, sobre o risco de contaminação. Em complemento a isso, a AGAS criou comunicados e uma cartilha de boas práticas operacionais que garantem a segurança de clientes, fornecedores e colaboradores do setor, de forma que sejam criados alguns horários restritos nas lojas para clientes do grupo de risco. ​ Considerado por lei atividade essencial, o setor supermercadista segue operando de forma normal em todo o país e não há previsão de parada na categoria, segundo as entidades. Isso se deve também ao apoio de toda a rede de abastecimento que segue com suas atividades normalmente, mesmo sendo um período de quarentena em todo o mundo. “Não existe motivo para pânico. A indústria está produzindo, a logística está entregando e os supermercados seguem abertos vendendo. O abastecimento está garantido.” explica a AGAS por meio de sua assessoria.

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