Coronavírus e a pandemia que mudou os rumos de 2020

Por Betina Ludwig Atualizado em 6 de abril às 16:00 horas

Um ano que tinha tudo para ser promissor. Era para ser marcado pela retomada dos empregos e consequentemente pela economia. Após, a chegada da nova década, o mundo se voltava para a briga entre Irã e Estados Unidos. O medo de uma possível terceira guerra mundial. No entanto, enfrentamos uma guerra contra um inimigo invisível e que atinge a todos.

No mês de janeiro, chegavam as primeiras notícias vindas da China, em relação ao novo Coronavírus. Os jornais noticiavam dia após dia o aumento dos números de casos no país asiático. A doença, que parecia distante, foi espalhando-se e tomou o mundo. A Itália que até início de março, não via como uma doença em potencial, ultrapassou os 25 mil mortos em 22 de abril. O novo epicentro da Covid-19 é os Estados Unidos, com mais de 40 mortos, marca ultrapassada em 19 de abril.

Professores Caroline Rigotto e Fernando Spilki

Em 23 de abril, de acordo com Ministério da Saúde, o número de mortos no Brasil se aproxima dos 3 mil. A maioria dos infectados que vieram a óbito, eram idosos e portadores de comorbidades.

Em meio à pandemia, muitas notícias espalham-se e os profissionais da saúde e da comunicação desdobram-se para informar corretamente a população. Destacando a importância dos profissionais que estão na linha de frente e também trazendo à sociedade o valor da pesquisa, principalmente na busca por resoluções durante o período caótico que estamos vivendo.

O presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) e professor da Universidade Feevale, Fernando Spilki, foi nomeado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Telecomunicações, para integrar o Comitê de Especialistas em Rede Vírus (MCTIC). O grupo é formado por pesquisadores de todo Brasil, para enfrentar a pandemia do Coronavírus e para a preparação do país para novas pandemias. O professor da Feevale é único representante da região Sul no comitê.

O professor explica que as principais diferenças entre a COVID-19 e outros vírus, é que ele faz parte de um grupo de coronavírus mais emergentes “A introdução em humanos se deu há muito pouco tempo. Ele tem transmissibilidade e uma taxa de letalidade relativamente alta, quando comparada a outros vírus respiratórios”, destaca Spilki. Segundo o professor, os idosos são os mais vulneráveis a doenças que possuem relação com trato respiratório devido ao processo de envelhecimento do sistema imune.

O vírus se multiplica e destrói as células do sistema respiratório e sua transmissão ocorre quando expelido no ar, através do contato com secreções respiratórias, no contato físico e no contato com material contaminado. Dependendo o material da superfície contaminada, o vírus pode sobreviver por 72 horas.

Em meio a um período conturbado, onde o número de casos tem se multiplicado a cada dia, o papel dos pesquisadores e instituições de ensino é de suma importância para auxiliar no combate à pandemia. A Universidade Feevale tem trabalhado na análise de amostras coletadas dos municípios pertencentes à região. Segundo o professor Spilki, estima-se que serão realizados cerca de três mil exames, durante o período de pandemia. Tal envolvimento da Academia permitirá aportar mais dados ao sistema de diagnóstico, aprofundamento de pesquisas sobre o vírus, a doença, tratamento, além de possibilitar a criação de futuras de vacinas.

O biólogo Renan Kauê Port, 28, formado pela Feevale e atualmente trabalhando na Licenciar Soluções Ambientais, no Município de Canela, destaca que as pandemias já são conhecidas no histórico mundial. No entanto, não se pode prever quando elas ocorrerão. “Temos que ter em vista que, estamos interligados, um ecossistema onde há relações entre os organismos mais variados, e estão em constante transformação”, explica o biólogo.

O trabalho que vem sendo feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem orientado sobre a necessidade do isolamento social que implica diretamente no número de transmissão. Port, considera que a OMS, está agindo corretamente, através do isolamento. De acordo com ele, a transmissão comunitária reduzirá drasticamente, dando tempo aos pesquisadores para buscar alternativas e assim combater este novo vírus enquanto a curva ascendente de infectados reduz.

O cenário exige a colaboração, conscientização e principalmente o comprometimento de todos para evitar um cenário mais devastador. Além disso, algumas mudanças podem acontecer nos estudos da biologia em função da Covid-19. Segundo o biólogo, o estudo no campo da biologia é muito abrangente e de suma relevância para compreender todas as relações da vida na terra. “Devemos dar mais valor e reconhecimento principalmente à pesquisa, pois é por meio dela que conseguimos compreender estas relações para que tomada de decisões sejam mais assertivas diante à panoramas que nos encontramos”, explica Port. Lembrando que a importância das pesquisas, em qualquer campo, e que devem ser olhadas pelo Governo com mais destaque e incentivo.

As mudanças causada pela pandemia, alteraram a rotina de trabalho do biólogo. Com funções relacionada a saídas de campo, ele precisou adaptar sua rotina ao Home Office. “Faço vistorias nos locais antes do início das atividades, avaliando fauna e vegetação e partir disso, elaboro os laudos e relatórios. Devido a pandemia, a empresa já sofre com os impactos econômicos sendo que vários trabalhos já foram paralisados por hora”, disse Renan.

A doutora em Biotecnologia e professora da Universidade Feevale, Caroline Rigotto, é membro da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), e atua há mais de 20 anos na área de virologia. Ela explica que não existe o melhor meio de prevenção, mas sim, medidas que colaboram para que não haja uma maior propagação da doença. Entre as principais estão, o distanciamento social, a higienização adequada das mãos (água e sabão por 20 segundos), intensificação na testagem em massa, o isolamento e quarentena de todos os casos positivos.

No entanto, ela explica que somente o distanciamento social, não resolve o cenário criado pelo vírus. Aumentar a quantidade de profissionais da saúde, o número de leitos em UTIs e de respiradores, seriam algumas das outras alternativas que poderiam contribuir para a melhoria do cenário, segundo a doutora. Um estudo publicado pelo Imperial College de Londres, a estratégia de isolamento social vertical poderia levar à morte mais de 529 mil pessoas no Brasil. Este cenário poderia ser ainda pior caso nenhuma medida de contenção fosse adotada, podendo atingir o número aproximado de 1,15 milhões de óbitos. Mesmo adotando um isolamento social mais abrangente no nosso país, as estimativas apontam para um número de 44 mil óbitos, explica a doutora, Caroline Rigotto.

Quando questionada sobre o atual cenário causado pela Covid-19, ela afirma que tem sido difícil conciliar a sua vida profissional e pessoal. Entre as tarefas via home office, ela ainda precisa encontrar tempo para tarefa de maternar o filho de 2 anos e 3 meses que ainda não entende muito bem todas essas mudanças.

O momento exige muita empatia e união de todos os setores da sociedade. “Estamos vivenciando um período em que todos os setores importantes precisam trabalhar juntos para controlar essa pandemia, precisamos de um esforço comunitário e não apenas governamental. É preciso que cada um tenha consciência que a sua ação individual reflete no global”, finaliza a professora.

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