Coronavírus e as Fake News

Por Mariana Giacomet

Atualizado em 17 de abril de 2020 às 17:00 horas

Ilustração: Juliana Dörr Arnold

Fake News: o início do surto de H1N1 no Brasil, em 2009, matou mais que o novo coronavírus


Algumas mensagens estão circulando nos grupos de Whatsapp afirmando que o surto de H1N1, que atingiu o Brasil em 2009, teve mais mortes que o novo coronavírus. Na mensagem que está circulando, é demonstrado que a H1N1 teve 58.178 infectados, com 2.101 mortos e que o coronavírus tem somente 294 infectados e 2 mortes, sendo que estes dados são até o dia 18 de março de 2020 e neste dia já haviam 4 óbitos confirmados por coronavírus. O primeiro caso de H1N1 foi registrado em maio de 2009, o surto seguiu até 2010, contabilizando 59.867 casos e 2.173 mortes. Não é possível comparar a taxa de letalidade pois, do coronavírus há uma alternação entre 2% e 3%, enquanto que a H1N1 ficou em 0,2%. No último boletim do Ministério da Saúde, dia 26 de março, o Brasil já contava com 2.433 infectados e 57 mortes, sendo este número de mortes em menos de um mês. Por sua vez, em 30 dias a H1N1 contava com 627 casos e 1 morte.


 

FAKE NEWS: água quente é capaz de matar o vírus


Uma mensagem que está circulando nos grupos de Whatsapp afirma que ingerir ou fazer gargarejo com água quente seria capaz de matar o coronavírus, mas isso não é verdade. Segundo o Ministério da Saúde, a temperatura do nosso corpo é de, ao menos, 36ºC. Logo, ingerir líquidos nas temperaturas sugeridas não faria qualquer diferença. Lembrando mais uma vez que ainda não existe medicamento, substância, vitamina ou alimento específico capaz de evitar o contágio do coronavírus.


 

Fake News: Cocaína protege contra o vírus


Existem boatos na França prometendo que o uso de cocaína protege contra o coronavírus. O boato foi tão forte que na semana passada o governo francês teve que realizar comunicação oficial nas suas mídias sociais desmentindo a história. “Não, a cocaína não te protege contra a COVID-19. É uma droga viciante, que causa efeitos colaterais sérios e é prejudicial à saúde das pessoas”, dizia a mensagem.

 

Fake News: prender a respiração por 10 segundos indica se a pessoa tem a doença


Aqui no Brasil está rolando uma história sobre um suposto exame que poderia revelar se a pessoa foi contaminada pelo vírus. A técnica consiste em respirar fundo e prender a respiração por mais de 10 segundos. Caso consiga fazer isso sem tossir, você não está infectado. Lembrando novamente que esses testes caseiros não funcionam. Caso você tenha falta de ar, tosse seca, febre alta e dor de cabeça, procure auxílio médico.


 

Fake News: banho muito gelado ou muito quente combate o novo coronavírus


As redes sociais estão espalhando um boato que tomar banho bem frio ou bem quente pode prevenir o contágio do COVID-19 ou combater o vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que essas ações não impedem o contágio por coronavírus. Vale destacar as medidas de precaução, como lavar as mãos, usar álcool em gel e evitar aglomerações.


 

Fake News: desenho 'Os Simpsons' previu surto de coronavírus


Os Simpsons já previu muita coisa, como a eleição de Trump, o incêndio da Catedral de Notre Dame, vitória da Alemanha na copa de 2014 e a compra da Fox pela Disney, por exemplo. Mas no caso do coronavírus não é verdade! Está rolando nos grupos de Whatsapp que em 1993, em um episódio da série animada, havia um quadro escrito coronavírus. Entretanto esse quadro foi manipulado digitalmente. A cena original foi retirada da história House Cat Flu e não menciona coronavírus, mas o "apocalypse meow". Então, não... Os Simpsons não previram todos os acontecimentos do mundo.


 

Fake News: maconha torna pessoa imune ao novo coronavírus


Está circulando pela internet que existem testes feito nos Estados Unidos, nos quais pessoas que fumam maconha estão imunes de contrair o coronavírus. Uma simples busca na internet demonstra que não existe nenhum teste feito com usuários de maconha. Lembrando que não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus.

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